Revista Vivendo

Revista Vivendo: Cerveja por Elas

dezembro 19, 2017 - 0 comentários

A relação da mulher com a cerveja é muito antiga, só que quando passou a ser produzida em larga escala e se tornou um negócio rentável, esse trabalho foi assumido pelos homens. Isso aconteceu por dois motivos (um tanto machistas): acreditava-se que a habilidade comercial era uma característica masculina e que as mulheres não tinham capacidade para se adaptar às novas tecnologias para a produção da cerveja

“Também bebo whisky, gin, vinhos, coquetéis, sou uma apaixonada por bebidas. Bebo para trabalhar, estudar, cerveja é parte da minha vida.”

Daiane Colla, Sommelièr de Cervejas

Anos se passaram e com as mudanças nos hábitos das pessoas, observou-se um crescimento da participação feminina no consumo da cerveja artesanal. A Daiane Colla, 34 anos é Jornalista, Sommelièr de Cervejas, Mestre em Estilos (PELO Siebel Institute of Technology de Chicago/EUA) e há quatro anos mostra que mulher também entende de cerveja sim senhor!

Confira na íntegra a entrevista que a Dai deu pra Novinha mais querida da cidade:

VIV – Como surgiu o interesse pelo ramo de cervejas?
DAIANE COLLA
– Sempre gostei de bebidas alcoólicas, fermentadas, destiladas, não importa. Mas a cerveja sempre teve um lugar especial. Experimentava rótulos diferentes sempre que possível. Em uma viagem para a Inglaterra em 2012 me encantei pela variedade de rótulos e estilos que encontrei por lá. De volta ao Brasil decidi que iria estudar e aprender mais sobre o assunto.

VIV – Como você aprendeu sobre cervejas?
DAIANE –
Fiz um curso de formação em Sommelier de Cervejas em 2013. Em 2014 fiz o Mestre em Estilos pelo Siebel Institute of Technology de Chicago, Estados Unidos. Tenho estudado para provas de proficiência como BJCP e Cicerone, assim consigo me manter sempre atualizada.

VIV – Você considera este um universo machista? Já sofreu machismo?
DAIANE
– O machismo se apresenta nas mais diferentes formas, desde o homem leigo no assunto querer explicar para mim, que sou especialista, algo que eu já havia falado e explicado. Num ambiente de diversão e com a presença de álcool, é bom comum que homens interpretarem as mulheres que trabalham ali como parte consumível do cenário de entretenimento. É preciso limite e respeito. Outra questão que segue me incomodando muito é o uso da figura da mulher em rótulos de cerveja artesanal. Essa objetificação da mulher me incomoda profundamente. Um problema bem comum são as vagas na parte de produção da cerveja serem limitadas aos homens. Temos um bando de mulheres incríveis, cheias de conhecimento e ansiosas para colocar a mão na massa.

VIV – Uma sommelière mulher ganha menos que o homem?
DAIANE –
Não tenho certeza, mas acredito que não.

VIV – Você toma muita cerveja, tipo, dia a dia, ou só em eventos, como é a tua relação “extraconjugal” (haha) com a cerveja?
DAIANE
– Haha! Bebo cerveja quase todos os dias. As vezes também bebo whisky, gin, vinhos e coquetéis. Sou uma apaixonada por bebidas. Bebo para trabalhar, avaliar,  relaxar, comemorar, estudar. Cerveja é parte da minha vida e está presente em todos os momentos.

VIV – Tu tá morando em Floripa ainda? Por que você foi morar aí, pela localização para este ramo de trabalho?
DAIANE
– Estou há 4 anos em Floripa e não pretendo sair daqui tão cedo. Nos mudamos pra cá por outros motivos mas felizmente foi aqui que consegui desenvolver e aprimorar meu trabalho como sommelière de cervejas.  O mercado aqui está em expansão significativa e não faltam cervejas para avaliar, jantares, festivais e eventos voltados a cerveja artesanal.

VIV – Você continua atuando como jornalista ou somente ao ramo da cerveja?
DAIANE
– Consigo utilizar muito do que aprendi nos anos de redação e assessoria de imprensa na cerveja, então posso dizer que sigo fazendo os dois.

VIV – Você acha que as mulheres hoje em dia gostam mais de cerveja que antigamente ou elas ainda preferem destilados a cerveja?
DAIANE
– Eu acredito que nossas preferências não tem nada a ver com gênero. Seja você homem, mulher, transgênero, o que importa é nossa memória sensorial, ou seja, tudo que comemos e bebemos ao longo da vida. Pessoas com paladar evoluído, que costumam experimentar de tudo, tem mais facilidade em aceitar novos aromas e sabores. Pessoas com paladar “infantil” dificilmente aceitam grandes mudanças, não importa se são homens ou mulheres.  Acredito que as mulheres têm consumido mais cerveja artesanal pela grande quantidade de rótulos nacionais e importados disponíveis no mercado e também por termos muitas mulheres fazendo a diferença no mercado nacional e internacional. Vejo um crescente interesse do público feminino em aprender mais sobre o assunto. Nas minhas palestras e cursos é bem comum termos um público majoritariamente feminino.

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